Entrevistamos a Health Coach Natacha Moitinho e pedimos uma receita

Hoje trago-vos uma convidada muito especial com um trajeto de vida inspirador.

A Natacha Moitinho é health coach e é responsável juntamente com o marido pelo Retiro Atlântico ( podem saber mais aqui) . A Natacha vem provar que os sonhos podem se tornar realidade e essa realidade pode ainda ser melhor do que o sonho…

Vamos falar com ela para a conhecer melhor, a ela e ao seu trajeto e pedir para nos deixar alguns conselhos e receitas saudáveis! Bora lá.

Olá Natacha, antes de tudo obrigada por teres aceite o nosso convite e estares hoje a partilhar a tua história. Para nos conhecermos melhor, conta-nos como começou esta aventura e porquê os Açores.

Olá Andreia! Muito obrigada por este convite. 

A minha mãe é natural da Ilha de São Jorge e eu desde cedo que vinha passar aqui os meus Verões.  Durante a minha infância e adolescência sonhava em poder viver em São Jorge, mas nunca foi possível. É que vir para aqui era o ponto alto do meu ano, pois como estava num meio mais pequeno tinha muita liberdade. Passava o dia a tomar banho com os meus primos e amigos e depois à noite brincava no jardim. Entretanto, um dos meus amigos era o Hugo e acabámos por começar a namorar. No entanto, o namoro nessa altura não resultou.

O tempo passou e comecei a priorizar outras coisas que, na realidade, não me faziam mais feliz. Voltei a sorrir quando fiz voluntariado no estrangeiro. Tive muitas experiências (o meu programa de voluntariado foi uma escola de vida), conheci inúmeras pessoas e cheguei à conclusão de muitas coisas, incluindo que o Hugo era muito importante na minha vida. Coloquei tudo o que é suposto de lado e segui a voz do meu coração. Vim viver para aqui para estar com o Hugo neste paraíso que é a Ilha de São Jorge. 

Deixar o continente e o trabalho para viver esse sonho foi uma decisão fácil? A família sempre apoiou essa decisão?

Não foi uma decisão fácil. Tinha acabado de tirar um mestrado em Estudos sobre as Mulheres e pensava “como é que estás a mudar a tua vida toda por um homem?”. Mas ser uma mulher empoderada assume formas diferentes para diferentes mulheres. Para mim ser empoderada naquela altura significou tomar uma decisão consciente, apesar de arriscada e que era a minha verdade. Ficar no continente, com o trabalho que tinha, fazia-me um ser mais triste e vazio. Os meus pais tinham os seus receios, mas sempre me apoiaram. 

Fala-nos um pouco sobre como surgiu o Retiro Atlântico e a quinta biológica. Como é o vosso dia-a-dia?

Quando vim viver para aqui o Hugo já tinha começado o seu projecto de quinta biológica com a ajuda do seu pai. Os eucaliptos e o silvado Brasil dominavam o ambiente e a pouco e pouco a quinta foi-se desenvolvendo à custa de muito trabalho e dedicação. Numa primeira fase o Hugo começou por vender os seus produtos biológicos, mas acabou por chegar à conclusão de que não era um negócio aqui em São Jorge. Então, numa segunda fase, decidimos apostar no turismo. Aliás, o Hugo tirou o curso de Guias da Natureza e o seu projecto final era um turismo aqui neste lugar.

Começámos por certificar a nossa quinta biológica com o intuito de fornecer os produtos para o empreendimento e depois surgiu a ideia de termos yurts em vez de casas. Como era um conceito inovador para os Açores, ainda tivemos de esperar algum tempo até o projecto ser aprovado. Durante dois anos o Hugo e o seu pai estiveram bastante envolvidos na construção do turismo e, em Agosto de 2019, abrimos as portas do nosso Retiro Atlântico que contou com o apoio do Governo Regional dos Açores através do programa Competir+.

Quando temos hóspedes o nosso dia-a-dia é inteiramente voltado para eles. Somos apenas nós os dois no Retiro o que implica preparar os pequenos-almoços, limpar, lavar, fazer manutenções e todo o trabalho de escritório. Uma das coisas que os hóspedes gostam muito de fazer é um tour à quinta porque o Hugo tem um grande conhecimento de plantas comestíveis, nomeadamente árvores tropicais. Aliás, aqui os hóspedes encontram uma colecção de frutíferas tropicais raras que os deixa encantados. Quando temos um tempinho livre o Hugo vai para a quinta e eu ajudo sempre que posso, pois tento também gerir a minha vertente de health coach.  

Não podemos estar a ter esta conversa nesta altura e não perguntar como estão a viver esta fase difícil de quarentena ? Que dificuldades estão a ter e como estão a lidar com a situação?

Temos tentado aproveitar esta situação da melhor forma possível dedicando-nos mais à quinta e aos nossos projectos pessoais. Contudo, em termos financeiros tem sido difícil por causa dos cancelamentos e também porque ainda não tivemos nenhum apoio do Estado. Neste momento vivemos um dia de cada vez focados naquilo que temos e não naquilo que não temos. 

Em que ponto da tua vida sentiste necessidade de mudar os teus hábitos e tornar-te uma pessoa mais saudável e  daí chegar a health coach ?

Apesar de não comer carne há quase 20 anos e do açúcar não ter estado muito presente na minha vida, durante muito tempo alimentei-me bastante mal. Não gostava de cozinhar e comia muito pão e queijo, o que teve repercussões na minha saúde. Quando vim viver para São Jorge, e tendo uma quinta biológica, comecei a debruçar-me mais sobre os benefícios de comer biológico. E como tinha mais tempo, sossego e maior paz de espírito, iniciei a minha viagem de auto-conhecimento de forma muito natural.

Sou jornalista de formação e comecei a investigar, mas desta vez sobre alimentação, saúde e bem-estar. Tomava a pílula, usava produtos convencionais para o corpo e para a casa, não praticava exercício, não me alimentava devidamente e pela primeira vez apercebi-me do impacto dessas escolhas no meu corpo e perguntei-me ” mas o que é que andaste a fazer este tempo todo?”. Resumindo, comecei a adoptar uma série de mudanças, gradualmente, e a sentir-me muito melhor! Na altura pensava em como queria ter tido acesso a esta informação há mais tempo, mas na realidade a vida frenética das cidades não nos deixa tempo para pararmos, escutarmo-nos, informarmo-nos e reflectirmos. Por isso escrevi o livro Voltar ao Natural. Nessa altura percebi que ajudar as pessoas a terem mais saúde e bem-estar era algo que me deixava muito feliz e que esse era o caminho que devia seguir.

Tirei o curso de health coach no Institute for Integrative Nutrition, nos Estados Unidos, e hoje organizo workshops de cozinha e alimentação saudável, retiros de saúde e bem-estar, tenho o meu blog e ofereço sessões e programas de apoio a quem pretenda melhorar os seus hábitos de vida. 

A mudança de hábitos não é um processo fácil, exige muita força de vontade e disciplina. Por isso mesmo que conselhos podes deixar a quem estiver neste momento a tentar criar hábitos mais saudáveis?

Querer mudar é já muito positivo. Depois há que começar a fazer alterações gradualmente, sem deixarmos de ser compreensivos/as e carinhosos/as connosco porque é normal durante este processo darmos passos atrás. O importante é ter consciência de que foram dados e continuar a seguir em frente. A partir de uma certa altura quando damos um passo atrás o corpo dá logo sinais de que não está bem e isso serve de incentivo para não voltar a acontecer. Recorrer a uma health coach pode ser uma boa opção para quem precisa de uma motivação extra, ou seja, de alguém que o/a possa guiar, apoiar e incentivar. 

No campo da alimentação uma das mudanças importantes que podemos fazer é eliminar o açúcar . Como? Deixando de levá-lo para casa, começando a prestar atenção aos rótulos dos produtos e a reeducar as nossas papilas gustativas introduzindo outro tipo de alimentos doces como a fruta fresca, as tâmaras e o mel. É importante ter em atenção de que os desejos de doces podem estar relacionados com falta de glicose de boa qualidade no organismo, carência de magnésio no caso de desejos de chocolate e aspectos do foro emocional. Agora que temos de ficar isolados/as em casa devido ao coronavírus é normal ter crescido o desejo por doces para compensar a tristeza, o aborrecimento, a frustração, a falta de afecto…Ter consciência de que nos estamos a refugiar nos doces por causa disso  – e não porque temos fome – ajuda-nos a encontrar formas de contornar a situação como, por exemplo, ligando a uma pessoa amiga quando nos sentimos mais carentes. 

Para terminar, gostávamos que partilhasses aqui uma receita bem fácil e saudável para que qualquer pessoa possa experimentar em casa!

Claro que sim. Vou partilhar a minha receita de bolinhas de tâmaras e amêndoas, muito fácil de fazer. Apenas precisas de 2 ingredientes: tâmaras medjool e amêndoas.Então, num processador trituras de forma grosseira 3/4 cup de tâmaras medjool com 1/2 cup de amêndoas. Forma bolinhas com esse preparado e já está! 

 

Para conhecerem melhor a Natacha, o seu trabalho e o Retiro Atlântico, deixo-vos aqui todos os links e contactos: