Artigo de Opinião: Hotelaria, A Escravatura dos Tempos Modernos

Sou licenciada em turismo e por mais de 7 anos fui rececionista. Passei por vários hotéis, várias receções e cada vez mais me sinto desiludida com o rumo que leva esta área. O Turismo é uma das mais valias do nosso país; eleva o nome do nosso país e o coloca nas bocas do mundo pelas melhores razões. Prémios e distinções não nos falta. O que falta então neste campo?

Na minha opinião, falta respeito, verdade e valorização.

Quando leio notícias em sites dedicados a esta profissão e ramo, artigos com opiniões de representantes de cargos superiores a dizer que falta mão de obra qualificada, dá-me vontade de rir num misto de raiva e vergonha. Quantos deles, que falam e representam empresas e setores, estiverem realmente no campo de ação? Quantos deles trabalharam mais de 15 dias seguidos? Quantos deles trabalharam mais de 12 horas seguidas? Quantos deles trabalharam sem receber mais um tostão por essas horas? Quantos deles receberam 490€ por mês? Honestamente não me sinto representada por essas pessoas que criam uma imagem de perfeição, de oferta de emprego e oportunidades que, na realidade, escondem uma escravatura dos tempos modernos. Sinto-me insultada por dizerem que não existe mão de obra qualificada quando não é esse o cerne da questão.

O problema está na forma como tratam os funcionários, que representam hotéis, cidades e o país perante os turistas. Não existe reconhecimento, não existe subida na carreira …em suma digo que não existe respeito!

Levam o funcionário a acreditar que lhe estão a dar uma oportunidade que muitos desejavam numa tentativa de lavagem cerebral.

Porque existe tanta rotatividade neste setor? Basta ver os anúncios de emprego em que encontramos sempre os mesmos hotéis, mês após mês, a procurar funcionários porque não conseguem manter uma equipa de trabalho. E porque será isso? Que será que se passa por trás do sorriso de um rececionista ou de um funcionário de restaurante?

A educação e exemplo não vem de cima e tudo se torna uma bola de neve, em que funcionários vão trabalhar desmotivados até ao dia em que batem o pé e fecham a porta.

Ninguém fica a ganhar nesta guerra. O hotel, ou grupo hoteleiro, fica a perder, o funcionário fica a perder e a hotelaria fica mais pobre com esta tendência que parece estar a tornar-se recorrente, principalmente dentro dos grupos hoteleiros nacionais.