Precariedade Laboral Nos Barcos Do Douro

Hoje trago uma noticia que não devia deixar ninguém contente, e que acaba por ser uma tristeza para o Turismo em Portugal, mais precisamente no Douro e nos cruzeiros.

Hoje fomos acordados com noticias com os títulos:

  • Manifestação contra falta de condições de trabalho nos barcos do Douro

  • Denúncia de “medo” e “escravatura” nos barcos do Douro sai à rua

  • DENÚNCIAS DE MEDO E ESCRAVATURA NOS CRUZEIROS

Este é um assunto sério, e as noticias baseiam-se em denuncias de ex trabalhadores, que na verdade não sabemos se são verdadeiras, ou pelo menos todas verdadeiras, e apesar de ser um assunto sério que envolvem pessoas de peso do Turismo de Cruzeiros vou deixar a minha opinião sobre este assunto que devia envergonhar todos os intervenientes do Turismo e da Hotelaria em Portugal.

Como sabem, eu trabalho em Hotelaria, e em 5 anos na Hotelaria já vi e vivi coisas impensáveis com condições de trabalho impensáveis; sendo o Turismo tão importante para a economia portuguesa e para os “patrões” que ficam cada vez mais ricos à custa “do povo” que precisa trabalhar…

Promessas? Muitas… Compensações? Poucas…

Existem exceções? Existem, mas num país onde existem mais hotéis que casas para arrendar, é uma minoria os que cumprem os direitos do trabalhador…é que ninguém pede mais do que merece ou deve receber! Quem vai trabalhar a horas e dá o seu melhor todos os dias merece receber por isso, e não falo só monetariamente…existem mais formas de dar valor aos funcionários…

E falar em Hotelaria é falar no Turismo em geral, porque de hotéis a cruzeiros pouco deve mudar…

Neste caso especifico, que explodiu nos meios de comunicação, não escondo a minha surpresa pelos intervenientes em causa…mas também não posso dizer que não acredito no que foi passado cá para fora por ex funcionários…

“Os bons salários e óptimas condições de trabalho nunca passaram de promessas. Os contratos foram quase todos de três ou seis meses. Quando chegava o período em que teria obrigatoriamente de passar a efectivo era mandado para casa. Tempos depois chamavam-no de novo.”

Quem no Turismo não passou por isto? Quando irá mudar esta situação?

Deixo-vos com um testemunho que está publico nos jornais e tirem as vossas conclusões:

“Tudo começou com um telefonema. A minha ex-namorada estava a trabalhar num barco no Douro e prometeram-lhe 1100 euros líquidos por mês, com 70 horas semanais e duas folgas por semana. Para o cenário que temos em Portugal aquilo era um balúrdio. Fui a uma primeira entrevista com uma empresa de recrutamento. Prometiam alojamento, três refeições por dia, salário e subsídio de embarque.
Disse que sim. Viajei de Lisboa para o Porto e de lá para o Pinhão. Quando cheguei, a minha ex-namorada já tinha desistido. Aguentou uma semana. Entrei no barco um pouco antes das seis da tarde. Pediram-me para fazer a barba e começar imediatamente. Nem sequer me deram tempo de ler e assinar o contrato. Tinha de começar logo. Nem uniforme tinha. A sorte foi que tinha vestido calças pretas, sapatos pretos e camisa.
Comecei às 18h30 e terminei à 1h30 da manhã. Era quase sempre assim. Despertar pelas 6h30 da manhã para tratar dos pequenos-almoços. Depois, pelas 11h45, estava terminado. Às 12h30 já estávamos a começar os almoços, até às 15h/16h. Alguns de nós iam directos para o serviço de bar, fazer cocktails. A seguir, era preciso abrir o restaurante. Para acabar pela meia-noite e meia no mínimo.
O contrato só assinei no segundo dia. Vinham explícitas as 40 horas semanais mas havia uma alínea no fim, que eu não reparei na altura, que obrigava o trabalhador a fazer mais horas caso fosse necessário. Com a indicação de que esse período seria pago posteriormente. Obviamente isso nunca aconteceu.
Ao primeiro dia tive vontade vir embora. Foi assustador. Os quartos eram minúsculos, dois beliches colados um ao outro, uma casa de banho pequeníssima. Condições terríveis. O ar-condicionado não funcionava, era um calor enorme. Não havia comida para os trabalhadores. Ou, quando havia, era horrível e não tínhamos tempo para nos sentar a comer. Comíamos os restos dos buffets dos clientes. Havia pessoas que iam às compras quando o barco atracava. Compravam atum, bolachas, pão.
O salário que prometeram era mentira. Falaram em 700 euros líquidos. Acenaram com as gorjetas. Mas essas nunca eram divididas à nossa frente. Aos clientes era dito para não deixarem gorjetas aos empregados de mesa porque já recebíamos um balúrdio. Era-lhes dito para deixarem num envelope no quarto. Havia clientes que me diziam que queriam dar-me uma gorjeta e que, como pedido, tinham deixado num envelope no quarto. Comecei a dizer-lhes para não darem. Não fazia qualquer sentido.”
Para não acharem que estou de um lado da história ( por acaso até estou) deixo-vos a reação à noticia, por parte de Mário Ferreira da Douro Azul que fala em “Terrorismo Social” e que este senhor que deu inicio à acusação é “um homem que aparenta graves perturbações mentais” e ” tem nos últimos meses feito várias ameaças a muitos operadores  turísticos no Douro“.

E vocês, o que acham desta noticia?

Ps: Este post é apenas de opinião pessoal, não conheço os intervenientes, apenas de nome, e os meus comentários são baseados na minha experiência pessoal e profissional, nada mais que isso.

 

rodape simply life

 

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