Crónicas de um Engenheiro – Olha Mas Não Vê

Esta é a sina do povo português: olhar mas não ver. Quem diz olhar e não ver diz ouvir mas não escutar, ou sentir mas não saborear. As pessoas andam demasiado ocupadas para prestar atenção aos pormenores, a quem nos tenta ajudar e, especialmente, quem nos tenta enganar. Posto isto, vamos ao sequitur da minha observação: o preço dos combustíveis.

Embora pareça uma construção lógica, à primeira vista, falaciosa, a relação entre a sina do povo português e o preço dos combustíveis possui uma palavra que, rapidamente, vos irá fazer pensar “Espera lá que já estou a ver onde queres chegar”, e essa palavra é enganar. Quando o Governo de Esquerda anunciou novos aumentos nos preços dos combustíveis, existiu um intervalo de tempo, aproximadamente, de 15 dias entre o anúncio e a aplicação dessa mesma medida, já de si bastante popular entre as pessoas.

Contudo, as gasolineiras apressaram-se a aumentar os preços por conta própria e, num estranho caso de conjugação astral (ou “coincidência”), todas em simultâneo e com valores aproximados. O Zé Povinho lá se dirige aos postos de reabastecimento e, quando deparado com o aumento dos preços, reclama com o Governo! E bem na minha opinião, pois por mais reclamações que se façam nunca são demais, mas neste caso injustamente, pois, nesse espaço de 15 dias, esse aumento nada teve a ver com o Governo, mas sim com a ganância das empresas que distribuem o combustível numa violação clara das regras da Autoridade para a Concorrência.

Passam estes 15 dias, os preços são então inflacionados de acordo com a lei Governamental e assim fica escamoteada a acção fraudulenta e enganadora das distribuidoras que assim lucram mais uns milhares de forma intelectualmente reprovável e, se me permitem, “sonsa”.

Concluindo: O povo olha para a subida dos preços mas não vê bem quem os sobe, triste sina a nossa de vermos apenas parte da realidade e nunca a “bigger picture”.

Deixo-vos com o pensamento da semana:

“É melhor ser derrubado pela sinceridade que abraçado pela falsidade”

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